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A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas apoia vacina contra Covid em crianças
Publicado em 24 de Janeiro de 2022 13:16
Após uma criança de 10 anos em Lençois Paulista passar mal, devido a Sindrome de Wolff-Parkinson-White, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas analisou o incidente e esclareceu que não vê razão para defender a suspensão de vacinação em crianças.
De acordo com comunicado distribuido pela entidade e assinado pela sua presidente Fátima Dumas Cintra, os casos da doença são baixos, variando em apenas 1 caso por ano, em média, não justificando a suspensão da imunização.
A entidade defende que na identificação de problemas cardíacos em crianças menores de 11 anos, os pais e profissionais de saúde devem proceder a "utilização do eletrocardiograma de 12 derivações em crianças e adolescentes com suspeita clínica de anormalidades arrítmicas".
A menina de Lençois Paulista acometida da WPW está internada em hospital particular de Botucatu e deve ser transferida para o Hospital do Coração - INCOR, de São Paulo para continuar o tratamento. Os pais da criança não tinham conhecido da doença na filha e agora fazem os procedimentos clinicos.
Confira a nota da entidade
ESCLARECIMENTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ARRITMIAS CARDÍACAS (SOBRAC) SOBRE VACINAÇÃO EM CRIANÇA E A MORTE CARDÍACA SÚBITA
A morte cardíaca súbita é incomum em crianças com ocorrência estimada entre <1 – 10 casos/100.000 pessoas/ano. As causas são diversas e incluem doenças congênitas do coração, cardiomiopatias, canalopatias, Sindrome de Marfan, anomalias da artéria coronária, vias acessórias, dentre outras.
Recentemente, o Sistema de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacina, foi notificado sobre uma criança de 10 anos que evoluiu com uma parada cardiorrespiratória depois de 12 horas da vacinação. Após investigação do caso, foi concluído que o paciente apresentava Síndrome de Wolff- Parkinson- White, sem relação causal com a vacinação.
A Síndrome de Wolff-Parkinson-White é caracterizada pela presença de uma ou mais vias acessórias para a condução do estímulo cardíaco que pode predispor a arritmias cardíacas graves e fatais. As manifestações clínicas são variáveis, desde pacientes totalmente assintomáticos, com palpitações leves, desmaios, até a ocorrência de morte cardíaca súbita como primeira manifestação da doença.
Dessa forma, a constatação de um eletrocardiograma com padrão típico de pré-excitação ventricular exige a adequada estratificação de risco e, se necessário, a instituição do tratamento apropriado para se evitar suas consequências catastróficas.
Felizmente, a ocorrência da Síndrome é baixa na população variando entre 0,1 a 0,3% e o risco estimado de morte súbita no paciente acometido é aproximadamente 1/1000 pessoas/ano.
Assim sendo, até o momento, a SOBRAC – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, não vê uma justificativa científica para a interrupção do esquema vacinal, e salienta a importância da utilização do eletrocardiograma de 12 derivações em crianças e adolescentes com suspeita clínica de anormalidades arrítmicas.
Fátima Dumas Cintra
Presidente da SOBRAC


