Notícia
Aumento nos casos de Covid-19 no Brasil acende alerta junto a médicos infectologistas
Publicado em 29 de Novembro de 2022 07:01
Nas últimas semanas, o aumento dos casos de Covid-19 chamou a atenção de organizações médicas no país, que têm emitido alertas para a necessidade de incrementar as taxas de vacinação e reforçar o uso de máscaras e distanciamento social.
Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor na Faculdade de Medicina da Unesp, campus Botucatu, o aumento se deve, principalmente, pela circulação da subvariante BQ.1 do coronavírus, derivada da variante ômicron, que apresenta maior grau de transmissão.
Nesse sentido, no dia 11 de novembro, a SBI, por meio do Comitê Científico de Covid-19 e Infecções Respiratórias (CCCIR), publicou uma nota técnica na qual cobra, do Ministério da Saúde, da CONITEC e da ANVISA, ações urgentes para aprimorar as medidas de prevenção e de tratamento da doença.
As medidas têm como objetivo diminuir o risco de novos picos, que podem acarretar alta no número de óbitos e superlotação dos serviços de saúde públicos e privados.
Na nota, o primeiro ponto cobrado pela SBI é referente ao incremento de taxas de vacinação, especialmente das doses de reforço. Apesar de 80% da população brasileira, ou 168.229.358, terem completado o ciclo básico, composto por duas doses ou a dose única,
Naime destaca que a taxa é de menos de 40% quando é analisada a adesão às doses de reforço (D3 e D4). Segundo dados do portal Vacinômetro Covid-19, do Ministério da Saúde, aproximadamente 100 milhões de pessoas tomaram uma dose de reforço.
Esse número cai para menos de 37 milhões, ao considerar indivíduos que tomaram a D3 e a D4. E aproximadamente 69 milhões de pessoas sequer chegaram a tomar a primeira dose de reforço.
O infectologista associa a baixa adesão às doses de reforço com uma queda na percepção de risco, dado os números baixos de internação e óbitos dos últimos meses. “A população deixou de ter aquela percepção de maior gravidade da doença, achando que não corria mais risco.
Mas, infelizmente, há um risco aumentado da doença, devido à alta circulação do vírus. Isso se deve por conta da BQ.1 ser mais transmissível e por sua capacidade de evasão do sistema imune, aliado ao fato de que a última dose de vacina, principalmente para os grupos mais vulneráveis, já foi há muito tempo”, comenta.
(do Jornal da Unesp)


