Weather for the Following Location: Botucatu map, Brazil

Notícia

Fim do estado de emergência para covid-19 passa mensagem errada diz docente da Faculdade de Medicina da Unesp

Publicado em 26 de Abril de 2022 07:16

 

O médico e professor da Unesp Sergio Muller fez críticas ao anúncio, realizado pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, de que o governo brasileiro vai decretar o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional relacionada à pandemia de covid-19.

 

Na visão do docente da Faculdade de Medicina de Botucatu, esta é uma medida burocrática descabida e fora de hora, que passa uma mensagem à população que pode prejudicar estratégias de saúde pública em andamento.

 

Sergio Muller já atuou na coordenação de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e hoje trabalha no Instituto Butantan, uma das instituições de pesquisa do país mais envolvidas com o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 e a oferta de imunizantes à população.

 

O médico frisa que o anúncio feito pelo ministro da saúde, que ocorreu na noite de domingo, 17 de abril, vai no sentido contrário de manifestações recentes da Organização Mundial de Saúde de que a pandemia ainda está longe de terminar.

 

Na prática, o fim do estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional anunciado pelo governo federal, que ainda deve ser oficializado, vai revogar uma portaria de fevereiro de 2020, encerrando o caráter de excepcionalidade nas compras realizadas pelo serviço público relacionadas à covid-19.

 

Em seu pronunciamento, o ministro da saúde Marcelo Queiroga afirmou que a melhora do cenário epidemiológico, a ampla cobertura vacinal da população brasileira e os serviços de assistência prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram as bases para que o governo decidisse formalizar o fim da emergência sanitária no país.

 

“O final do estado de emergência, sem que a Organização Mundial de Saúde tenha decretado o final do estado de pandemia, incorre em alguns equívocos”, diz Muller. “Será que é possível, mesmo considerando-se que o Brasil é soberano para tomar suas decisões, adotar medidas isoladamente? Não seria melhor que essas medidas fossem adotadas segundo um plano global, sob a organização da Organização Mundial da Saúde?”, questiona Muller, em entrevista ao site da Unesp.


 COMENTÁRIOS