Notícia
Mortes por dengue ocorrem por falta de identificação dos sinais de alarme da doença
Publicado em 25 de Janeiro de 2024 07:19
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a gravidade da dengue em quatro categorias: A, B, C e D. De acordo com a classificação, que é feita pelo médico, é possível direcionar o paciente para o tratamento mais apropriado.
O médico infectologista e diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB|Unesp), professor Carlos Magno Fortaleza, explica que o indivíduo que se enquadra no grupo A, após receber avaliação, pode ir para casa. O paciente classificado no grupo B “precisa receber uma hidratação vigorosa, ir para a casa e ser acompanhado diariamente na Unidade Básica de Saúde (UBS). Os do grupo C têm indicação de internação e o indivíduo do grupo D tem indicação de UTI”, explica o docente.
Para o manejo apropriado do paciente com dengue, os profissionais de saúde devem se atentar para os sinais de alarme, pois, segundo o professor Fortaleza, eles apontarão para uma gravidade do caso, o que exige “internação e hidratação vigorosa por, no mínimo, 48 horas”, lembra o docente.
Os sintomas de alarme da dengue são: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, ascite (que é aumento do abdomen, devido a retenção de liquidos), derrame pleural ou pericárdico, hipotensão postural ou lipotímia, letargia ou irritabilidade, sangramento de mucosa, aumento do hematócrito ou queda de plaquetas, redução da diurese e hipotermia.
“A dengue faz com que os vasos sanguíneos fiquem permeáveis, semelhante a uma peneira. Há vazamento de líquidos destes vasos nos tecidos ao redor, com isso a pressão cai e o sangue não chega aos órgãos nobres e o paciente pode vir a óbito por falha de múltiplos órgãos”, frisa professor Fortaleza.
Ainda de acordo com o especialista, 95% das mortes por dengue são evitáveis quando existe a identificação correta dos sinais da gravidade do problema e hidratação adequada dos pacientes.
Como evitar a dengue: evite criadouros do mosquito. Vasos de plantas, vazamentos em pias e demais locais potenciais para o acúmulo de água parada que apresentam alto risco de reprodução do mosquito. Especialmente no verão, o cuidado precisa ser maior devido ao aumento de temperaturas e forte incidência de chuvas.
Até o dia 17 de janeiro, foram confirmados 4.087 casos de dengue, distribuídos em 204 municípios. Em relação à Chikungunya, há 61 casos confirmados, em seis cidades. Não há registro de óbitos para as doenças em São Paulo. O estado também não registrou nenhum caso confirmado de Zika vírus na primeira quinzena do mês.
Em Botucatu os casos estão em torno de 400 pessoas doentes confirmadas, conforme informou ontem Valdinei Campanucci, da Vigilancia Ambiental em Saúde.


